Muitas vezes não nos damos conta do girar de ponteiros do relógio do tempo. Parece que foi ontem que, em meio a temores sobre os efeitos do famigerado "bug do milênio", adentramos no novo século, do qual, de ontem para hoje, consumimos nada mais do que uma década.
Assutado com esta constatação, me perguntei sobre o saldo desses dez anos vividos. Reviví mentalmente os principais acontecimentos e tendências e cheguei a uma dolorosa conclusão: ao mesmo tempo em que vivemos uma era de grandiosos progressos tecnológicos, estamos cada vez mais causando malefícios a nós mesmos.
O fazemos ao poluir nossa "grande casa", ao relegarmos os grandes escândalos, políticos, religiosos, culturais, vivenciais, etc, etc, apenas ao nível de nossa reservada indignação, ao participarmos cada vez menos da vida de nossas comunidades.
Jogamos todos os dias em nossa atmosfera milhões de quilos de elementos poluentes, desperdiçamos e poluimos irresponsavelmente um elemento precioso como a água, não tomamos nenhuma atitude real para conter os atos de corrupção e delapidação do patrimônio público, que em última análise é nosso, e ficamos cada vez mais distantes de uma participação mais efetiva no planejamento dos rumos que devem tomar nossas comunidades, muito embora sejamos, em condomínio, titulares absolutos delas.
Por todos estes motivos, em meu reviver mental dos fatos, predominaram abusos sexuais contra crianças, escândalos financeiros/políticos/religiosos, más gestões da coisa pública, decisões nebulosas e equivocadas dos mais altos e baixos escalões da justiça, atentados contra a vida de pais praticados por filhos e vice-versa e um sem número de outros fatos que só vêm a demonstrar a falta de amor, de ética e de estima ao verdadeiro sentido da palavra VIDA que reinam nos tempos modernos.
Mas você certamente há de argumentar: "...poxa, só tivemos coisas negativas?"
Evidentemente que não. Tivemos progressos expressivos da ciência, da medicina, das finanças (será?) e de outras áreas da atuação humana.
Contudo, em minha modesta concepção, a falta de empenho do ser humano em geral no objetivo de evitar os erros e mudar comportamentos comprometeu, nesta década, todo e qualquer ganho que se tenha conseguido em todas estas áreas, pois a sua inércia em reagir acabou por contaminar até mesmo estas áreas com a desumanidade, com a falta de visão sobre as necessidades do próximo (lembra-se da sábia frase "ama teu próximo como a ti mesmo"?), com um total descaso com as repercussões de nossas atitudes individuais e coletivas, seja quanto à humanidade, seja quanto ao planeta em que vivemos.
Que a nova década que iniciamos possa ser de progresso com humanidade, de avanços com sabedoria e de ganhos com responsabilidade. E que possamos tomar atitudes efetivas, saindo de nossa inércia, quanto aos seres humanos que não fazem jús a esta classificação, possibilitando que através delas, de nossas atitudes reais, consigamos eliminar esse tipo de ser do nosso planeta.
Que 2010 seja o ano da mudança comportamental. E que Deus nos ilumine nesta difícil, mas totalmente possível, caminhada.
FELIZ ANO NOVO!
quarta-feira, 30 de dezembro de 2009
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